Entrevista a Carlos Garrido, presidente da Comissom Lingüística da AGAL


Carlos Garrido Rodríguez (Ourense, 1967) é, desde outubro do ano pasado, Presidente da Comissom Lingüística da Associaçom Galega da Língua (AGAL). Con él mantivemos esta conversa virtual.

Carlos Garrido tamén é Profesor do Departamento de Traduçom e Lingüística da Universidade de Vigo

Vostedes, desde AGAL, defenden que o galego é unha rama do portugués. Está claro que na súa orixe as dúas foron a mesma lingoa, mais esa afirmación é valida hoxe en día? A nosa historia é a que é e parece que a influencia do castelán sobre o galego comeza alá polo século XIV, co establecemento da nobreza castelá en Galicia. Debemos obviar esa parte da nosa historia e tender ao anterior? Non sería como se de repente, no castelán dixeramos, pois agora imos prohibir todas as palabras de orixe árabe?

A Associaçom Galega da Língua, como outras organizaçons culturais de caráter reintegracionista, defende que o galego é um dos ramos ou variedades do galego-português, língua románica nascida no território da antiga Gallaecia romana e posteriormente difundida por vários continentes sob o nome de “português”. Os outros dous grandes ramos ou variedades desta língua som o lusitano (Portugal) e o brasileiro (Brasil). Esta perspetivaçom do galego nom é de agora, e foi claramente defendida por grandes personalidades do Galeguismo como Manuel Murguia, Eduardo Pondal, António Vilar Ponte, Joám Vicente Biqueira, Vicente Risco, Afonso Daniel R. Castelao (v. “Sempre en Galiza”), R. Outeiro Pedraio, R. Carvalho Calero, etc.

O galego, o lusitano e o brasileiro apresentam hoje umha grande unidade no léxico e na morfossintaxe, diferenciando-se entre si de maneira nítida só na fonética ou pronúncia. Ora, a fonética, havendo coesom gramatical e lexical, nom deve utilizar-se para dividir as
comunidades lingüísticas. Nom apresenta a mesma fonética o andaluz, o cántabro, o mexicano e o rio-platense, e ninguém duvida que nesses territórios se fale a mesma língua (o castelhano ou espanhol), nem impugna a utilizaçom de umha mesma ortografia. No caso do galego, deixando de parte a fonética, as diferenças que hoje mais se notam a respeito do luso-brasileiro registam-se nalguns setores do léxico, mas isso deve-se, unicamente, a que na atual Galiza se utilizam castelhanismos para designar os conceitos modernos, urbanos e
técnico-científicos, pois o amplíssimo setor do léxico antigo e tradicional é praticamente idêntico em galego, em lusitano e em brasileiro.

Se queremos viver em galego com algumha dignidade (eu quero e já o fago!), nom podemos aceitar que todo o léxico galego moderno, urbano e técnico-científico seja castelhano. Alguns castelhanismos é normal que os apresente o galego, como o resto de variedades da língua comum e como outras línguas europeias (ex.: guerrilha, mosquito, deslumbrar…), mas nom é normal que todas as palavras que deva utilizar um galego-falante culto nos ámbitos da modernidade sejam castelhanas.

A proposta do reintegracionismo é clara e de senso comum: se em 99% das palavras antigas e tradicionais coincidimos galegos, portugueses e brasileiros (p. ex.: mai, pai, genro, coruja, minhoca, cadeira, farinha, trave, enferrujar, vermelho, amarelo, etc., etc.), o LÓGICO e o ÚTIL é expurgarmos os castelhanismos suplentes (dos ámbitos dos conceitos modernos) hoje presentes nos falares galegos e substitui-los por vozes luso-brasileiras (ex.: em vez de “gafas” ou “lentes”, “óculos”; em vez de “gafas de bucear”, “máscara de mergulho”, em vez de “inversión” (de dinheiro), “investimento”, em vez de “ordenador”,
“computador”, etc.). Algum destes neologismos luso-brasileiros (como “investimento”, “aterrar”, “avaliaçom”, etc.) já os está a promover o oficialismo; agora só cumpre que tal medida se generalize de modo conseqüente.

A outra grande proposta do Reintegracionismo é, naturalmente, a de escrever o galego com umha ortografia próxima à dos atuais lusitano e brasileiro, isto é, umha ortografia coincidente em linhas gerais com aquela que o galego tinha na Idade Média, quando era livre da tutela do castelhano. A filosofia é: se hoje há 200 milhons de pessoas no mundo que, dizendo “fariña” e “miñoca” e “coruxa”, grafam tais palavras como “farinha” e “minhoca” e “coruja”, por que nos obcecamos nós na Galiza em escrevê-las com o ñ castelhano e com o “x” antietimológico? O que ganhamos com tal decisom? Evidentemente, pouco ou nada (porque em castelhano se di “harina” e “lombriz (de tierra)” e “lechuza”!) Polo contrário, é óbvio que muito temos a ganhar, em termos de difusom, utilidade e prestígio do galego, com umha coordenaçom ortográfica galego-luso-brasileira!!

Falar de “utiilidade e prestígio” semella arriscado. É que hai linguas de primeira categoría (con máis falantes e polo tanto máis útiles e prestixiosas) e linguas de segunda?

Nom, nom parece arriscado. O galego leva os últimos 50 anos a desangrar-se pola perda acelerada de falantes, e este fenómeno nom é casual. Deve-se, é claro, à competência do castelhano em condiçons de superioridade do castelhano e de inferioridade do galego.
Superioridade do castelhano em utilidade e em prestígio “para andar e trabalhar pola Galiza e polo mundo”.

Todas as línguas e todas as pessoas, com independência do número de falantes ou de euros que possuam, som igualmente dignas, mas se umha pessoa está a passar necessidade, e mesmo a esmorecer por falta de alimento, que razom há para que nom cobre o bilhete de lotaria premiado com 2 milhons de euros que tem no bolso? O bilhete de lotaria premiado com 2 milhons de euros que o galego tem na sua mao, ainda sem cobrar, é a identidade lingüística galego-luso-brasileira, que torna o galego, mediante a aplicaçom das medidas racionalizadoras que antes mencionei, numha verdadeira língua de cultura de difusom internacional.

A normativa oficial do galego ten cambiado en tres ocasións dende 1982 e en cuestións significativas, como a formación do femenino ou o uso do “-lo”.  A adopción dunha normativa reintegracionista no seu momento houbera  significado maior estabilidade?

Assim é: a codificaçom reintegracionista do galego apresenta maior estabilidade do que a isolacionista (oficialista). A razom é clara: a normativa da RAG-ILG foi improvisada e está cheia de “inventos” que  nom funcionam, enquanto que a codificaçom reintegracionista, baseada na coordenaçom com o lusitano e o brasileiro, apresenta umha base sólida, coerente e confirmada por um uso pleno em comunidades socialmente normalizadas.

Mais, se adoptáramos agora a codificación reintegracionista do galego, qué pasaría con varias xeracións (entre as que me inclúo) que aprenderon a falar e escribir doutro xeito?

Para os utentes de galego (e mesmo para os galegos que fam uso habitual do castelhano, mas que tenhem que aprender o galego na escola!) som de tal magnitude as vantagens associadas à adoçom em galego de umha ortografia próxima à do lusitano e brasileiro (ex.: carvalho, minhoca, jeito, coraçom) e à expurgaçom de castelhanismos neológicos (ex.: “óculos” em vez de “gafas” ou “lentes”, “computador” em vez de “ordenador”, “aspas” em vez de “comiñas”), que o correspondente esforço de aprendizagem (bastante pequeno) bem vale a pena.

O esforzo de aprendizaxe non é tan pequeno, sobre todo porque a situación xa vén viciada. Os que aprendimos a dicir e escribir no seu día, por exemplo, “tódolos nenos”, agora temos que escribir “todos os nenos” pero seguir pronunciando “tódolos nenos”. E xa non falemos do “nembargantes” (non entendo cómo pode desaparecer así como así unha palabra do dicionario) ou do “grazas”. A cousa é tan absurda que até as siglas quedaron desfasadas (¿ou alguén di cigué para referirse á CIG?). Os falantes de a pé non somos lingüistas, tampouco todos teñen as mismas posibilidades de formación, e estos cambios custan moito máis do que podería parecer. Pedirlle a xente máis cambios, máis esforzos… Non debería adaptarse a norma aos falantes en lugar de os falantes á norma?

Tens bastante razom ao queixar-te dos “tombos” da normativa oficialista. Umha cousa é clara: o esforço de aprendizagem de um galego coordenado com o luso-brasileiro é cem vezes mais rendível do que a aprendizagem de um galego inventado que nem sequer os seus inventores utilizam.

Non están demasiado politizadas na Galicia as reivindicacións lingüísticas?

É lógico que as questons lingüísticas estejam politizadas, porque se trata de assuntos de intensa repercussom social. Para algumha das opçons políticas em presença, a situaçom ideal seria umha Galiza em que a populaçom tivesse um conhecimento aceitável de castelhano, mas vivendo plenamente em galego; para outras opçons políticas, o ideal é
umha Galiza plenamente castelhanófona, em que o galego já nom se use ou só se use em ocasions folclóricas; a terceira opçom é a única impossível: que se registe indefinidamente um equilíbrio real entre as duas línguas.

Para rematar, como sabe, a idea de facer esta entrevista xurde dun artigo que escribin neste mesmo blogue, titulado “Coruña, a secas”. Vostede que defende: Corunha ou A Corunha?

De harmonia com a tradiçom toponímica consagrada em Portugal e no Brasil, a denominaçom oficial da cidade deve ser “Corunha”, mas o uso da forma toponímica no discurso é com artigo: vivo na Corunha, vou à Corunha ou vou para a Corunha (cf. Porto). Em todo o caso, Corunha representa um caso complicado, porque há pessoas que defendem, nom sem razom, que a forma do topónimo mais genuína é “Crunha” (< Clunia).

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20 respuestas a Entrevista a Carlos Garrido, presidente da Comissom Lingüística da AGAL

  1. sparral dijo:

    Teño que agradecer a Carlos a súa amabilidade e a súa disponibilidade para esta entrevista (que tivo que ser electrónica por culpa da distancia). Se alguén quere preguntarlle algo, pode facelo aquí mesmo, nos comentarios, porque él comprometeuse a visitarnos para dar resposta ás cuestións que podan xurdir.
    Muito obrigada, Carlos 🙂

  2. Moi boa entrevista. Concordo co doutor.

    Parabens

  3. xavier72 dijo:

    Paréceme moi interesante a entrevista. Na miña opinión, aínda estando de acordo con algunhas das ideas que defende AGAL, creo que si non se tomaron medidas ,fai trinta anos, cando se puxo en marcha a primeira normativa do galego é moi difícil que as institucións, tanto culturais coma políticas, aposten por trocar hoxe a normativa.
    Por outra parte eu creo que a língua ten que ser viva e evolucionar, e o galego evolucionou de forma distinta dun e doutro lado do “Minho”.
    Como remate a esta humilde opinión, creo que aínda habería unha posibilidade de acercamento á lingua irmá nas novas voces que se van incorporando ó idioma.
    Moito Obrigado, Carlos.

  4. Celso Alvarez Cáccamo dijo:

    Boa entrevista, Sparral.

    O problema da harmonização da escrita galega com o resto do âmbito da língua comum não é tanto. Os padrões das línguas não se fazem (só) para as pessoas que já sabem ler e escrever, mas devem fazer-se pensando no futuro. E os meninhos são como esponjas na aprendizagem: podem perfeitamente aprender a representar as suas palavras com uma ortografia comum ao que se tem chamado “lusofonia” (ou “galegofonia”, ou “galego-lusofonia”, tanto tem). Pensemos que, já agora, a fala real está MUITO distante de qualquer norma, não só na Galiza, mas em qualquer lugar (na Galiza talvez mais, pola variabilidade interna). Falar é uma cousa, escrever é outra. Falar é variável, escrever deve ser uniforme. Pensemos no inglês! Realmente, nenhuma norma se pode “adaptar aos falantes”, porque então haveria quase tantas normas como falantes 😉 .

    Eu nunca estudei galego na escola (quando estava no Licéu ainda não era de ensino obrigatório). Também comecei escrevendo galego com a ortografia de base espanhola, a atual da RAG. E, sem dúvida, aprendim a escrever como agora pouco a pouco. É precisamente isto que se poderia e deveria evitar (o auto-didatismo), pois existem muitos recursos para o aprendizado do idioma, e na Internet não digamos. Deixo apenas estas ligações de recursos aqui:

    http://www.netvibes.com/academia-galega-da-lingua-portuguesa#Survival_Kit
    E este, mais amplo:
    http://www.netvibes.com/portulano#Portulano_de_Recursos

    Saudações!

    • sparral dijo:

      Moitas grazas polas ligazóns e polo comentario, Celso.
      Eu quería decir que os académicos deben ser sensibles hacia os sons da rúa, hacia cómo falan as xentes. Penso que a RAE, en parte, así o fai cando admite, por exemplo, o novo significado da palabra “chatear”, afastado do tradicional de tomar viños. É decir, penso que as linguas deben evolucionar da rúa á academia e non ao revés. Pero, está claro, baixo a súa atenta mirada, senón sería un desastre.
      Tamén estou de acordo en que unha cousa é falar e outra escribir, e na necesidade dunha escritura uniforme (precisamente é iso o que boto de menos). 😉

  5. Carlos Garrido dijo:

    Enquanto entrevistado, queria agradecer publicamente a Soledad o seu interesse em publicar as minhas palavras, porque o reintegracionismo continua a ser na nossa Galiza umha opçom demonizada e objeto de constante censura nos meios da comunicaçom social.

    Também queria agradecer as intervençons dos leitores (Celso A. Cáccamo já é umha autoridade da lingüística galega) e, nomeadamente, queria referir-me ao interessante comentário do Xavier. Estou de acordo em que, por falta de coragem política e civil, é mui difícil o “establishment” galego mudar agora a orientaçom codificadora do galego; ora, o que, por agora chegava, era que abrandassem a censura, o ocultamento e até a perseguiçom dos reintegracionistas, e que permitissem a livre concorrência de opçons normativas no seio da sociedade. Quanto à presunta “evoluçom divergente” de galego e português, trata-se de um dos tópicos do discurso antirreintegracionista, e bastante falso. Como expliquei na entrevista, entre os atuais galego, lusitano e brasileiro as diferenças legítimas, que nom som manifestaçons de degradaçom induzidas polo castelhano, som mui escassas e carentes de peso para justificar a secessom lingüística. Em qualquer caso, nom podemos chamar “evoluçom” a umhas mudanças que, na esmagadora maioria dos casos, som de caráter prejudicial, descaraterizadoras do galego e anuladoras da sua funcionalidade; mais exato será chamar-lhe “involuçom” ou, como fazia Carvalho Calero, “história clínica”.
    Cordialmente,

    Carlos Garrido

  6. Pau dijo:

    Concordo con Xavier en que hoxe en día as institucións políticas e culturais galegas non están polo labor de modificar a norma do galego e aproximala ao reintegracionismo (de feito non creo que haxa moitos partidarios no “establishment”). E con respecto ao que di Carlos de que “permitissem a livre concorrência de opçons normativas no seio da sociedade” penso que cada quen fale como queira pero unha lingua debe ter unha única normativa. Desde logo, non teño a solución, pero do que si estou segura é de que estes bailes da norma (agora todolos, agora todos os, ó antes e agora ao, etc.) non fan nada ben ao idioma nin aos falantes.

  7. Celso Alvarez Cáccamo dijo:

    Carlos: Obrigado polas tuas exageradas palavras 😉 sobre a minha pessoa. Mas falemos do importante.

    Pau: Eu relativizaria a preocupação polos “bailes de normas”. A mudança da norma da RAG de 2003 foi verdadeiramente mínima: algumas opções que eram preferidas passaram a ser secundárias, e viceversa. Simplificou-se alguma questão: palavras como “estructura” passaram para “estrutura”, “delicto” para “delito”, e pouquíssima cousa mais.

    Além disso, a própria “Lei de Normalización Lingüística”, penso, diz que a norma “se revisará periodicamente para adaptar-se à sociedade”, ou algo assim. Não houvo tal adaptação. A proposta da RAG continua a ser a mesma, e consiste basicamente em negar contra vento e maré a (relativa) unidade linguística galego-portuguesa-brasileira de que fala Carlos. Qualquer falante de qualquer outra língua internacional, como o inglês, ou o próprio espanhol, sabe que a variação interna é grandíssima: “Lò mushashò”, “pèkaíto”, “vós tenés”, etc. etc. Ou a minha frase favorita do espanhol de Cuba, que me ensinou uma aluna: “oe oío, ¿u a uá?”. Entende-se, não é? Como suponho que os/as leitores/as deste foro também sabem espanhol, não a vou explicar 😉 .

    O problema é que vemos com olhos diferentes o espanhol (ou o inglês) e o galego. Pensamos que o galego se tem que escrever “como se fala”, o qual não só é impossível (há muitas variedades), mas tampouco é o objetivo da escrita. A língua escrita é um vínculo comum artificial entre falantes muito diversos. Concordo, claro, em que cada língua só deve ter uma forma escrita (sobretudo, uma única ortografia). E o mais útil e fácil para o galego seria (e é: já o fazemos muita gente) escrevê-lo com a ortografia da própria língua, que internacionalmente se chama “portuguesa” (cousas da História, não da língua).

    Saúde!

    • sparral dijo:

      Celso, cánta razón tes niso de que “não houvo tal adaptaçao”. O problema é moitos xa non sabemos se debemos decir pelegrín, peregrín, peregrino ou peregriño… Non sei se me explico. 😉
      Por iso non podemos relativizar a importancia do baile de normas, porque é o mesmo baile de normas o que nos impide falar, ou estar seguros de que o facemos correctamente (corretamente, correitamente?). Oxalá fora certo iso de que “a norma se revisará periodicamente para adaptar-se à sociedade”, é o que quería decir eu cando falaba de que a norma debía adaptarse (algo máis do que agora o fai) aos falantes.
      O de “oe oío, ¿u a uá?” é moi moi moi bo. Non entendo nada de nada. 😀

      • Celso dijo:

        Soledad,

        Tu diz como queiras, mas escreve “peregrino”, ou, melhor, “romeiro” 😉 (o que vai a Roma, já sabes; na Galiza, deveria ser “santiagueiro” ou “composteleiro”, mas assim são as línguas).

        Quanto a “correctamente”, às vezes as cousas das normas são mais fáceis do que parece: até há pouco, em português, escrevia-se “correctamente”. Mas no novo Acordo Ortográfico de 1990, que se está a implementar em todos os países de língua portuguesa (e de falas brasileiras, portuguesas, moçambicanas e… galegas 😉 ) é “corretamente”, que é, de feito, como sempre se pronunciou aqui, não é? Ontem escutei falar uma cultíssima política galega, em espanhol, e não pronunciava NEM UM dos chamados “grupos cultos” KT. Dizia cousas como “estrutura, vitória, prática, correto”.

        Em resumo: Para mim o galego normativo estável do s. XXI já existe: é o Acordo Ortográfico que emprego aqui, por exemplo.

        Ah, não entendes “oe oío, ¿u a uá?” 😉 . Pois é língua espanhola! Claro que, se se escreve como tal, sai a Língua Cubana Independente. A hispanofonia não quer isso para o espanhol, logicamente (por que para o português sim que vale?). Imagina:

        Cubano coloquial: “oe oío, ¿u a uá?”
        Cubano mais neutro. “Oe, Hohito, ¿tu bá a huá?”
        Outros níveis, outros dialetos:
        “Oie, Horhito, ¿tú bá a hugá?”
        “Oie, Horhito, ¿tú báh a hugár?” (ou “hugál”)
        assim até:
        “Oye, Jorgito, ¿tú vas a jugar”.

        Melhor a última norma escrita para tod@s, não pensas?

        Saúde!

        • sparral dijo:

          Sí, moito mellor a última forma, Celso. Mais que mellor, semella imprescindible. 🙂
          Mira, co dos grupos cultos teño outra dúbida. Últimamente escoito na radio galega falar do Complexo -lido complekso- Hospitalário de Ourense ou de Santiago (é o mesmo). Eu sempre escoitara “estes locutores da RG ou presentadores da TVG non saben falar galego, mira como pronuncian o x”. Pero parece ser que complexo sí se pronuncia ks. Por que? Hai outras palabras en galego nas que exista ise son? Como saber cales?
          Se alguén ten a resposta a estas preguntas, estaría moi agradecida 😉

  8. Iago Tabarés dijo:

    Certamente é un tema interesante e no que coido temos que ver o vaso medio cheo, pois, na miña modesta opinión, a velocidade de cruceiro mais vaise na liña correcta, na do encontro entre irmáns. Por iso gostaría saber se Carlos Garrido no concorda en que, paseniñamente, mais coas sucesivas reformas normativas vaise no camiño cara o achegamento coa língoa irmán?
    E por outra banda, na situación de agresión continúa que están a sufrir todos, non so a língoa, elementos identitarios galegos, cabe outra posibilidade, agardar outra cousas? Existe outra posibilidade?

  9. Carlos Garrido dijo:

    Reato aqui as minhas intervençons nesta interessante troca de mensagens em torno da língua para responder aos amigos Soledad e Iago.

    Soledad, os locutores da rádio galega parece que aprendêrom há pouco que em palavras como “complexo” o xis deve proferir-se com o seu valor culto, como “cs”. Aprênderom isso há pouco, como outras dúzias de casos, porque, como dixem antes, o galego codificado pola RAG e potenciado polo atual poder autonómico é um sistema improvisado, caprichoso e artificioso, cheio de lacunas e de contradiçons. Em qualquer caso, a resposta à tua dúvida é que o “x” deve proferir-se com o seu valor erudito quando figura em palavras eruditas, comuns às línguas europeias que fôrom procurá-las ao latim: complexo, exemplo, reflexo, anexo, conexo, etc.; no entanto, o xis representa o fonema patrimonial (“sh” em inglês) em palavras patrimoniais, antigas, como caixa, eixo ou peixe (já palavras como género, geraçom, jeito, queijo, genro, etc. deviam escrever-se em galego, como propom o Reintegracionismo, com g ou com j, conforme a etimologia!).

    Estimado Iago, a meu ver a desgraça do galego, no plano político, nom é tanto que os partidos de obediência estatal nom abracem o Reintegracionismo, como que, nada menos que a formaçom política hegemónica do nacionalismo, do galeguismo, que se di herdeira da doutrina de Castelao, lhe seja refratária. Nom, é evidente que o ritmo de aproximaçom ao luso-brasileiro é insuficiente: a identidade lingüística galego-luso-brasileira continua oculta (e até demonizada) para a esmagadora maioria da sociedade galega, e isso acarreta hoje o nom prestigiamento do galego (que continua a perder utentes maciçamente em favor do castelhano) e, pior ainda, a sua brutal degradaçom fonética, morfológica, lexical e sintática (som professor de traduçom para galego, e sei-no de primeira mao). Mesmo com um governo galego agressivo com a identidade galega, como o de Feijó, todos nós podíamos fazer muito em prol da língua, se tivéssemos as cousas claras, como as tem o Reintegracionismo. Para já, por exemplo, e isto é umha pequena crítica que che fago com humildade e cordialidade, devíamos deixar de falar de “língua irmá” em relaçom ao “português”, para falarmos, com Murguia e Castelao, de galego, lusitano e brasileiro como variedades da mesma língua, o galego-português (língua irmá do galego-português é, si, o castelhano!).
    Cordialmente,

    Carlos Garrido

  10. Celso dijo:

    Soledad, tu o dizes: Essa unidade ortográfica (polo menos) para uma língua parece imprescindível. Bom, tu és reintegracionista para o espanhol 😉 . Eu também, claro, e para o inglês (sou trilingue). Essa é basicamente a ideia do reintegracionismo galego, no seu primeiro passo polo menos: unidade ortográfica para o que consideramos –seguindo os mesmos critérios que se aplicam a outras variedades– uma mesma língua.

    Sobre a mudança de “complesho” para “complekso”, ou de “paradosho” para “paradokso”, já o explicou Carlos: é uma mudança na concepção do que é uma palavra “erudita” frente a uma “patrimonial”, e portanto da sua pronúncia na norma formal. De facto, esta mudança harmoniza-se com a pronúncia de Portugal ou o Brasil, onde se diz “ks” para esses casos, embora em muitos se simplifique, como entre nós: “exame” sempre dissemos “esame”.

    A distinção “palavra patrimonial / erudita” exemplifica-se precisamente com “exame”. O latim EXAMINE(M) deu “exame” com /ks/ como palavra culta, mas também “enxame” (‘enshame’) (espanhol “enjambre”) como palavra patrimonial. Contudo, a distinção tem os seus problemas.

    • sparral dijo:

      Eu mesmo podo ser “reintegracionista conceptual” (soa un pouco Yoko Ono, pero…) en galego, Celso. O que pasa é que non coñezo a norma e por iso non se me nota 😉

  11. Celso dijo:

    Tudo se andará, Soledad 😉 .
    Obrigado por este diálogo.
    Abraço,

    -celso

  12. Pingback: Los números de 2010 | Palabra de plumilla

  13. Matt Read dijo:

    Hola Todos,

    Perdón por comunicar en Castellano, pero no sé hablar el gallego. ?Alguien me puede decir quién condujo la entrevista? Necesito su nombre para citar esta fuente.

    Gracias!

    Matt

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